CRÓNICAS DE
ANGOLA
PROVÉRBIOS
Quem
segue os meus blogues, verificou o abrandamento das publicações no decurso dos
últimos meses. Em mim, pelo menos até agora, isto não é sinal de preguiça nem
de cansaço. Significa apenas que estou empenhado na escrita de romances. Como o FÁTIMA entrou em fase de revisão, volto
ao decaedela e ao historinhasdamedicina.
A
minha amiga Licita esteve cá. Veio de França, onde foi passar o Natal com a
filha, que está a fazer um estágio profissional. Aproveitei para lhe pedir para
desvendar uns hieróglifos que tinha registado, em Luanda, no meu caderno de
apontamentos. É que ela tem o sorriso bem mais transparente do que a escrita… E
ainda há para aí mal-intencionados que falam da letra dos médicos…
Será
útil uma explicação prévia. Ao nascer e ao pôr-do-sol, os pumumus (perus do
mato, bucorvus cafer) emitem cantos que parecem
lamúrias. Machos e fêmeas entendem-se em sons diferentes. Para os povos
do Sul de Angola, o pumumu é o pássaro da tristeza e da preguiça.
Vejamos o escreveu a Licita. O Pumumu
não se estava a dar bem com a mulher. Chorosa, ela queria voltar para casa da
mãe. Disse:
− Nguenda cu mai!
Nguenda cu mai!
O macho respondeu:
− Ukande, ombera ieia tu rima…
Espero, desta vez, ter entendido a
letra. Não sei umbundo. Perdoem-me as possíveis falhas. Isto dá, em português:
− Vou para a minha mãe!
Vou para casa da minha mãe!
− Não vás. A chuva chegou, vamos
lavrar.
Não resisto a
juntar a este dito um provérbio recolhido pelo padre Carlos Estermann e
transcrito na sua obra sobre Etnografia de Angola. É comum aos Nhanecas, Humbis
e Kipungos.
Katuliheke omalunda,
No m´ovipembe palimwa.
Katuliheke ovakwendye,
No p`omombwale palalwa.
A tradução é mais ou menos esta:
Não nos seduzem as terras gordas,
Pois nas magras também se cultivam.
Não nos seduzem os rapazes,
Pois ao pé dos velhos também se
dorme.
Como já vou adiantado em
anos, o provérbio agrada-me…









